quarta-feira, 5 de junho de 2013

Experiência de leitura Valdir


Experiência de leitura pessoal

Quando li o depoimento o depoimento do artista Newton Mesquita, chamei imediatamente o meu filho que estava do outro lado da sala em outro computador para dizer-lhe que estava vendo-o naquele relato. Ele imediatamente começou a rir, pois tudo que fez durante muito tempo, sendo ele filho único, o livro foi seu companheiro diário e noturno também, pois lia até a hora de dormir. Hoje ele é adepto da tecnologia e utiliza o Hipertexto, já que tecla com gente de vários países pela internet. A sua experiência de leitura é realmente impressionante.
 Posso dizer que hoje leio muito menos que outrora, pois quando jovem lia como disse Nina Horta, tudo que via pela frente. Eu sou da época em que circulava um pequeno livro chamado bolsilivro que continha histórias bem chamativas pelo fato de tratar-se de histórias de faroeste na maioria das vezes. Eu possuía centenas daqueles livretos, sem contar com as revistinhas de TEX que eram bem chamativas, e que também tratava do mesmo gênero. Fora isso eu lia Júlia, Sabrina, ou qualquer coisa que tivesse letras. Eu também deixava de ir ao clube para terminar um livro, só ia ao campo de terra batida jogar uma bola, quando terminava o capítulo que estava por acabar. Foram nessas leituras que adquiri um vocabulário que me proporciona articulares as palavras e escolher a que melhor se adéqua ao texto ou ao trecho em que estou redigindo.
A propósito, eu nessa época não tinha cursado o ensino fundamental um, já que vim começar os meus estudos numa instituição de ensino, aos vinte e sete anos, pois até essa data não havia frequentado regularmente, nenhuma escola, embora tivesse começado por duas vezes a primeira série no extinto Mobral e parado na metade do ano. Bom, isso não faz de mim um herói, mas prova que a leitura é uma questão de vontade de saber, de descobrir o mundo, como diz Contardo Calligaris, na citação que faz sobre Fernando Pessoa. Eu me sentia em muitas das vezes dentro do espaço em que o referia-se, quando, por exemplo, estava lendo “O Seminarista” de Bernardo Guimarães.

 Eu me via na situação do rapaz e ao seu lado sendo obrigado a viver naquele sombrio daquele Mosteiro, onde passa os dias pensando no amor de infância sufocado contra a “nossa” vontade, sim, nossa porque eu estava ali com ele enquanto fazia reflexões a respeito da injustiça cometida pelos pais. Tenho certeza de que todos nós quando estamos no meio de uma leitura dessa não pensamos e nem queremos pensar que se trata uma literatura, nesse momento nós estamos vivendo uma realidade, pelo menos para mim é assim.  Hoje, já me vejo nos desertos citados nos trechos da Bíblia, e assim, por diante. 

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