Experiência de leitura pessoal
Quando li o depoimento o
depoimento do artista Newton
Mesquita, chamei imediatamente o meu filho que estava do outro lado da
sala em outro computador para dizer-lhe que estava vendo-o naquele relato. Ele
imediatamente começou a rir, pois tudo que fez durante muito tempo, sendo ele
filho único, o livro foi seu companheiro diário e noturno também, pois lia até
a hora de dormir. Hoje ele é adepto da tecnologia e utiliza o Hipertexto, já
que tecla com gente de vários países pela internet. A sua experiência de
leitura é realmente impressionante.
Posso dizer que hoje leio muito menos que
outrora, pois quando jovem lia como disse Nina Horta, tudo que
via pela frente. Eu sou da época em que circulava um pequeno livro chamado bolsilivro
que continha histórias bem chamativas pelo fato de tratar-se de histórias de
faroeste na maioria das vezes. Eu possuía centenas daqueles livretos, sem
contar com as revistinhas de TEX que eram bem chamativas, e que também tratava
do mesmo gênero. Fora isso eu lia Júlia, Sabrina, ou qualquer coisa que tivesse
letras. Eu também deixava de ir ao clube para terminar um livro, só ia ao campo
de terra batida jogar uma bola, quando terminava o capítulo que estava por
acabar. Foram nessas leituras que adquiri um vocabulário que me proporciona articulares
as palavras e escolher a que melhor se adéqua ao texto ou ao trecho em que
estou redigindo.
A propósito, eu nessa época não tinha
cursado o ensino fundamental um, já que vim começar os meus estudos numa instituição
de ensino, aos vinte e sete anos, pois até essa data não havia frequentado
regularmente, nenhuma escola, embora tivesse começado por duas vezes a primeira
série no extinto Mobral e parado na metade do ano. Bom, isso não faz de mim um
herói, mas prova que a leitura é uma questão de vontade de saber, de descobrir
o mundo, como diz Contardo Calligaris, na citação que faz sobre
Fernando Pessoa. Eu me sentia em muitas das
vezes dentro do espaço em que o referia-se, quando, por exemplo, estava lendo “O
Seminarista” de Bernardo Guimarães.
Eu me via na
situação do rapaz e ao seu lado sendo obrigado a viver naquele sombrio daquele Mosteiro,
onde passa os dias pensando no amor de infância sufocado contra a “nossa”
vontade, sim, nossa porque eu estava ali com ele enquanto fazia reflexões a
respeito da injustiça cometida pelos pais. Tenho certeza de que todos nós
quando estamos no meio de uma leitura dessa não pensamos e nem queremos pensar
que se trata uma literatura, nesse momento nós estamos vivendo uma realidade,
pelo menos para mim é assim. Hoje, já me
vejo nos desertos citados nos trechos da Bíblia, e assim, por diante.
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