quarta-feira, 5 de junho de 2013

CHUVAS DE EMOÇÕES

Os sons das águas me levam ao passado quando ainda era criança e adorava andar na chuva, no caminho que fazia da escola para casa. Cada dia a chuva tinha um valor, pois tinha dias, esse sabor lembrava o primeiro beijo, molhado e amedrontado, outros o perfume da relva molhada, que guardamos em partes importantes de nossa vida e emoções.
A chuva no passado demonstrava a liberdade de poder chegar molhada em casa, com os cabelos escorridos, as roupas sujas das brincadeiras feitas pelo caminho, tremendo de frio e ao mesmo tempo de medo, mas com o coração cheio de alegria. Era evidente mesmo quando as tempestades chegavam, traziam consigo muita paz, descontração, algumas vezes arrastava tudo deixando nossas vidas de cabeça para baixo. Essas lembranças em dias de chuva ora são boas outras vezes nem tanto. O barulho da chuva seu cheiro me leva ao primeiro amor ou único amor, onde adorávamos andar pela chuva, bem devagar, mesmo quando ela era fria e gelada, mas ao mesmo tempo era a nossa oportunidade de ficar juntos, tentando fugir dos problemas que nos tentavam separar. O que fazer se nosso amor era uma tormenta bem diferentes dos dias de chuvas calmas ou aquelas simples garoas que nem chagavam a molhar. Nossas vidas se transformaram, mas as sensações e lembranças da chuva dessa época contínua presente, como aquele primeiro beijo trocado no meio de um vendaval, que já demonstrava que nada seria fácil ou eterno. Esse sabor, sensação reaparece todas as vezes que chove, mesmo que seja só no inconsciente.
Chuvas leves, violentas, por dias ou simplesmente por algumas horas, nos direciona para caminhos que escolhemos, deixando as tempestades ou garoas esquecidas em algum lugar, como os ciclos de nossa vida, que tem início e fim determinados. Assim percebemos que as chuvas chegam e parte aleatórias aos meus desejos... dori...terezinha

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